A Fundação Bienal de São Paulo anunciou na última sexta-feira a primeira lista de 38 artistas, nacionais e estrangeiros, que participarão este ano da 29ª edição do evento, marcado para ocorrer entre 21 de setembro e 12 de dezembro no pavilhão da instituição, no Parque do Ibirapuera. Pelo projeto curatorial, a mostra, sob o título Há sempre um copo de mar para um homem navegar (verso do poeta alagoano Jorge de Lima), contará com obras de cerca de 120 artistas – a lista completa deve sair a partir do fim de abril. “Ainda faltam algumas viagens à América do Sul para definirmos participantes”, afirma o curador-coordenador da 29ª Bienal, o pernambucano Moacir dos Anjos. É a relação entre arte e política que dará a tônica da exposição, segundo os curadores.
“Teremos alguns trabalhos mais críticos e também faremos a justaposição de obras que não têm uma conotação política, mas que, relacionadas com outras, acabam tendo”, diz ainda Moacir dos Anjos, completando que há artistas criando obras novas para a 29ª Bienal, como Cildo Meireles, Anri Sala e Chantal Akerman.
A equipe curatorial da mostra – coordenada por Moacir e Agnaldo Farias e ainda formada pelas espanholas Rina Carvajal e Chus Martinez, o sul-africano Sarat Maharaj, o angolano Fernando Alvim e a japonesa Yuko Hasegawa – esteve reunida em São Paulo por toda a semana para definir questões do projeto e sugerir nomes de artistas. Pela primeira vez, estiveram todos juntos.
“Há um consenso entre os curadores de que esta exposição tem de falar de uma nova configuração de mundo a partir do Brasil. É a tônica da política sem afirmação de certezas, de doutrinação, de panfletarismo”, continua Moacir dos Anjos. A escolha de Divisor (1968), de Lygia Pape (1927-2004), é um exemplo de obra que carrega ação sutil e direta de política: grande superfície de tecido com fendas para as pessoas entrarem, o trabalho se transforma em um “corpo coletivo”. A ideia é encenar o Divisor por diversas vezes durante o evento, até mesmo no lado externo do pavilhão da Bienal.
Na relação da arte e da política, pretende-se fazer ainda uma construção de “certa narrativa da arte brasileira”, como diz Moacir, de desde os anos 1930 – tendo as experiências do artista moderno Flávio de Carvalho como marcador. Mas com “cadência” a arte brasileira vai se imbricando com as criações de estrangeiros na Bienal internacionalizada, misturando trabalhos de vivos e mortos, modernos e contemporâneos – e ocorrendo uma inevitável proporção de filmes e vídeos na mostra, já que “nossa relação com o mundo é hoje toda mediada por telas”, explica o curador. Ele destaca como núcleos da exposição arranjos de obras em torno de temas como utopia, memória, identidade, cidade, monumento e contra-monumento.
REFORMA
No ano passado, a Fundação Bienal de São Paulo e o Ministério da Cultura (MinC) firmaram parceria para o início de reformas necessárias no pavilhão da instituição. O MinC destinará R$ 4 milhões para as obras, mas os recursos ainda não foram liberados porque a fundação espera aprovação dos órgãos de defesa do patrimônio histórico (o prédio, projetado por Oscar Niemeyer, é tombado). “Estamos na expectativa de que terminem a análise este mês para começarmos as obras emergenciais, como a instalação de escadas de incêndio e hidrantes”, diz Heitor Martins, presidente da Fundação Bienal de São Paulo. Já a climatização de todo o edifício – apenas 10% dele é climatizado, em área do terceiro andar – só será feita depois da 29ª Bienal.