A 5ª Festa Literária Internacional de Porto de Galinhas – Fliporto tem início a amanhã (05/11) e trará alguns dos grandes criadores da arte literária do cenário nacional e internacional. Nesta edição, o evento traz como tema "Literatura ibero-americana: interdependências e contemporaneidade" e homenageia o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto.
Com uma grade mais compacta, acontecendo uma mesa por vez, a Fliporto reúne nesses quatro dias de evento cerca de 40 autores, de 10 países diferentes. "O mérito da Fliporto é tentar explicar as nossas raízes através da relação com nossos vizinhos", explicou o jornalista Mário Hélio, que este ano assume a curadoria literário do evento, durante a coletiva de imprensa. Segundo ele, a escolha das atrações foi de acordo com dois critérios:"O primeiro foi o diálogo do autor com o leitor, reconhecimento da obra por prêmios e vendas. O segundo foi sua relação com o tema ibero-americano".
A abertura será às 17h com um concerto da Orquestra Sinfônica Jovem, do Conservatório Pernambucano de Música, dedicado ao compositor Heitor Villa-Lobos. A literatura entra em cena logo depois, às 18h30, com o uruguaio Eduardo Galeano, autor de As veias abertas da América Latina e Espelhos, que foi publicado ano passado e terá uma sessão de autógrafos logo após a conferência inaugural. "Ele lerá trechos da sua obra e depois responderá algumas perguntas, como numa conversa de amigos", adiantou Mário Hélio.
A maratona mesmo começa na sexta-feira, com programação literária das 9h às 20h30 no Hotel Armação. Entre as nove mesas do dia, falam o especialista em biblioteca venezuelano Fernando Báez, o jornalista Laurentino Gomes, a crítica Heloísa Buarque de Holanda, o escritor português José Luiz Peixoto e o canadense Pierre Ouellet sobre diálogos entre literatura e artecontemporânea. Outra mesa curiosa do dia é A tradição popular da Espanha e do Brasil na poesia de João Cabral, com o pesquisador Lawrence Flores Pereira e os repentistas Ivanildo Vila Nova e Raimundo Caetano. "Vamos colocar a literatura oral no mesmo patamar da dita literatura erudita", observou Mário Hélio.
No sábado, a grade abre com conferência do crítico Antonio Carlos Secchin sobre as relações da obra de João Cabral de Neto com Pernambuco. Na sequência, haverá mesas dedicadas ao diálogo da literatura com outras áreas de expressão. Com o jornalismo, o colombiano Eccehomo Cetina; com a música, fala Arnaldo Antunes; com o teatro e a música, o escritor Ronaldo Correia de Brito e Antonio José Madureira. Fora desse eixo, o crítico Luiz Costa Lima fala sobre Cervantes entre a ironia e a melancolia.
Já em clima de despedida, o domingo reúne Cristovão Tezza e Tatiana Salem Levy, vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura de 2008. Depois vem a escritora portuguesa Inês Pedrosa, falando sobre Fernando Pessoa; efecha com conferência do chileno Antonio Skármeta, autor de O carteiro e o poeta.