Depois do forte crescimento de 2007, a economia brasileira começou o ano num ritmo forte. Estimulada pelo movimento de recomposição de estoques, vários segmentos da indústria tiveram um janeiro bastante positivo. Em alguns casos, como o de aços planos, o desempenho superou as expectativas. Ainda assim, a percepção dominante no setor privado é de que haverá algum arrefecimento no ritmo de aumento da produção e do consumo na comparação com os percentuais registrados no ano passado. O agravamento da crise americana, por sua vez, não afetou os negócios no Brasil.
O indicador de atividade do banco ABN Amro Real de janeiro apontou índice de 54,7, o mais baixo em oito meses, o que revela que a produção cresce, mas em ritmo um pouco menor - o dado acima de 50 indica crescimento frente ao mês anterior. Em dezembro, o índice ficou em 55,3. Conforme o estudo, os estoques de bens finais (49,0) e de insumos (48,5) permaneceram baixos e o número de novos pedidos (55,4) cresceu.
Na Indústria de Papel e Papelão São Roberto, a produção ficou estável em janeiro, dentro da expectativa do presidente da empresa, Roberto Nicolau Jeha. Ele espera um crescimento para o primeiro trimestre de 1% a 2% em relação ao mesmo período do ano passado.
Faturamento da indústria gráfica cresce 4% em 2007 Vamos propor uma experiência. Dê uma olhada à sua volta, seja no trabalho ou em casa, e verifique quantos produtos que estão ao seu alcance já passaram de alguma forma pela indústria gráfica. Conseguir contar? Com certeza vai encontrar muitos. Segundo o vice-presidente da Abigraf, Alfried K. Plöger, “não há praticamente nenhum produto do mercado em que os gráficos não estão no meio”. Desde alimentos, papelaria, livros, catálogos, bulas e embalagens de remédios, cosméticos, nos manuais de carros, computadores. Em todos os setores, o trabalho da indústria gráfica é vital para a valorização dos itens dispostos ao consumidor final.
Essa necessidade da indústria como um todo, aguça o otimismo do setor gráfico, que tem consciência que sua performance está totalmente interligada ao PIB do país. “O que aconteceu no ano passado é reflexo disso. Tivemos um altíssimo grau de investimentos. Não há como caminharmos sem analisarmos as variações do PIB”, explica Plöger.
O vice-presidente da Abigraf, ressalta que por conta dessa relação PIB X crescimento, o setor gráfico teve cerca de US$ 1,43 bilhões de investimentos. No de 2006, essa quantia não ultrapassou a média de US$ 420 milhões. Quanto ao faturamento do setor saiu da ordem de US$ 7,6 bilhões (2006) para US$ 9,6 bilhões, um crescimento de 4%. O salto aqueceu o mercado, abriu frentes de trabalhos, incrementou a tecnologia nacional e estabeleceu ao segmento uma performance bastante ousada.
No ano passado, sete mil novos postos de trabalho ampliaram o número de pessoas empregadas pelo setor - quase 200 mil. A abertura de vagas é a principal comemoração da indústria gráfica nacional, que neste ano completa 200 anos de existência.
Diante deste cenário, a indústria gráfica está se modificando e procura olhar para suas fraquezas como muita cautela, para manter o ritmo de desenvolvimento. Por isso, uma das prioridades da Abigraf será lutar contra a informalidade do setor. “Esse é um traço muito peculiar da indústria gráfica. Ainda há muitas gráficas que contam apenas com o trabalho de famílias e cerca de 90% delas não têm mais de 20 empregados”, informa Plöger.
Outra bandeira que a associação pretende levantar é um basta para as tributações. “Vivemos num verdadeiro pandemônio de tributos e isso precisa mudar”, acrescenta o executivo. A responsabilidade ambiental também está no foco dos objetivos institucionais para 2008. “O nosso setor polui muito pouco, mas ainda queremos eliminar esse pouco e contribuir com o planeta”, conclui Plöger.
Expectativas
O setor gráfico pretende desempenhar uma performance acelerada em termos de faturamento para 2008, mas isso tudo vai depender muito dos efeitos econômicos do País. Outra meta é aumentar e principalmente qualificar a mão de obra.